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Na Bahia, em disciplinas diversas, há um fator paradigmático forte com relação ao discurso da identidade e origem. É natural... devido ao jeito diversificado, violento e misterioso de nossos processos históricos. Daí, uma vontade íntima enorme de se reconhecer em atavismos… Faz sentido.

Além, a identidade, se aprendeu: é uma conversão direta e digna pra empoderamentos sociais.

Num momento, penso na identidade como algo que se fez no passado (circunstancialmente revelado por rastros irreconhecíveis), noutro, como a percepção de que quem somos se refaz ou revalida no que está por vir.

O Gueledé Muquirana é uma subversão. De fato, uma réplica das Máscaras Gèlèdè do Benin justaposta ao nome do bloco de travestidos “As Muquiranas” do carnaval de Salvador, com seu público negro de classe média, irreverente, pirracento, massivo, dançando atrações musicais super-populares.

Tentando se perceber em nossos antepassados africanos, a máscara africana (mais um mote do que qualquer referência específica) une-se ao visual da cultura de rua de Salvador e na surpreeendente, bela e despretensiosa opção por jeitos panafricanos. É um jeito de querer bem a quem somos hoje mesmo, numa busca inesperada de referenciais. O Gueledé Muquirana quer esbarrar nesses fenômenos super-populares e extrair desses elementos massa crítica, transformações, interseções; dessa memória inventada tirar alguma satisfação.